Friday, February 08, 2008

Saudades

Acordo. Tarde. levanto-me, sem pressas. cambaleio até à banheira, já alguém antes ligou o gás e abriu as janelas. água quente, amoleço-me, entorpecido sorrio com o meu bem estar. sabe-me bem, a água quente. tão bem que me deixo apagar durante o duche. Engraça-me o vapor de água na casa de banho.
Café, uma mini. O bom pequeno almoço nutritivo e reconfortante do jovem estudante secundário. Outra, alimentarmos-nos bem nunca fez mal. Mais uma, po caminho. uma hora ou assim de aula, chata e sem interesse. Estúpida até. Quem é que raio presisa de aulas de estória mascarada de Português? um pátio cheio de putos estúpidos, infantis, gente sem ideias formadas, subjugados a um grupo de ideias pré-concebidas, ninguém interessante, ninguém que mereça ser conhecido. Um tédio de Morte. Almoço, mais algum amigo ou dois. Bifanas na tasca e médias. Aulas de subir média e não aprender nada, um estirador. Local precioso para descansar, dormitar, Saboriar o alcool. Desenhar algo, humildemente melhor que a média da turma. O mundo é aquela escola e outra. Tudo é relativamente pequeno e, infelizmente, simplório. Não porra nenhuma na realidade imediata que me rodeia que estimule, encante. Enfim, salva-se o MD com músicas que a maioria desconhece, ignora ou escarna; felizmente a maioria da população é idiota, sossega-me. Divertidos diálogos com ridiculas jovens que se julgam ser mais do que são, pavoneiam uma maturidade e inteligente superioridade que não possuem, apanha-se tão facilmente as mentiras e aldrabices, faltas de carácter e inseguranças; nem isto é desafio, nem isto ensina nada, nem isto é útil. Casa. O desejo da adopção, estes não. Amar alguém que não nos identificamos é chato. E triste. E deprimente. E mais algo que não quero desenvolver, pensar, explorar. A vida tem disto: escolhemos de quem gostamos, com quem nos damos, por quem nos apaixonamos, mas da familia não se foge. Não faz mal, têm os seus bons momentos. Que se lixe. Hei-de recordá-los com ternura, espero. Desenhar, desafio Aprender. Superar-me. Desiludir-me. Pensar. Crescer. A música, sempre a música. Café, amigos do costume. Nada de anormal, imperial, imperial, shot, shot, imperial, shot, imperial, imperial, shot, shot, imperial, shot. Inicio de dor de barriga, imperial, momento "ooookk..." e água. Mais água. ok tá bom n mexas mais. Frustração de não ter dinheiro nem estomâgo para estar bebado. vá, mais uma. Outra. ok tá a bater, fixe, já tá o mundo em slow motion. agora sim, sinto-me bem, a sensação de estar tudo lento, o mundo calmo mas mexido, eu apreciar os sons, os momentos, o que se vê. O que se diz. Não sentir estranheza por sentir valor nos pequenos detalhes do mundo, ter a desculpa para isso! É bonito, o mundo. Podia ser melhor, tão melhor. As pessoas podia ser melhores, tão melhores. Casa de novo. A chave com mestria na fechadura, sem barulho. caminho automático e estudado para o quarto, despir, vestir pijama, deitar, fechar luz do candeeiro, merda, que sede. LEvantar, caminhar com a mão na parede, copo, torneira, água. 'Tá melhor, cama. Fecho os olhos, a barcaça abana e penso na vida, no mundo, em mim, nos outros, em tudo. Cinco mil coisas na cabeça, a fazer sentido, organizadas, lógicas. O mundo é tão deprimente. Somos tão deprimentes.
O sol na cara. Acordo. Tarde. levanto-me, sem pressas.


A vida que tive, a vida que tenho, e aquela que nunca irei ter.
A vida que outros tiveram, que têm, que nunca irei ter.
A certeza de não ter pena nenhuma de não te-las tido, gostei da minha, foi, dentro dos seus altos e baixos, boa. Irei recorda-la com saudade. Tantas Saudades. A nostalogia move-nos por dentro, a Saudade é sentimento tão terno.

1 comments:

... said...

que texto tao tu - ou melhor q t expoe tanto, pq a realidade eh q passas a maior do teu tempo aqi a avaliar os outros e o mundo q t rodeia (e ainda bem , é um bom exercicio), ms gostei dest texto, ate da forma como o escreveste