Tuesday, April 06, 2010

My country is a dying whore

     My country is a dying whore. Empresto a frase cinemática para resumir o pedaço de terra a que chamo pátria. Isto é uma palhaçada completa, numa bandalheira, na qual a Grande Porca (como Henrique Medina Carreira tão bem ilustra recorrendo a Rafael Bordalo Pinheiro) se vai divertindo violando-a.

     Nós, humanos, apesar de possuirmos uma personalidade própria, agimos para com o mundo do modo como o mundo age connosco, parece-me ser uma atitude defensiva basilar da sobrevivência humana, e apesar também de este país não tratar os seus cidadãos decentes de um modo minimamente aceitável, eu considero que não tenho como missão existencialista destruir-lhe o futuro como ele tão bem tenta destruir o meu (nosso), mas sim, atitude revestida de preocupação para comigo e para com quem comigo também habita esta terra (essencial a qualquer cidadão), tentar encontrar alternativas para que a Grande Porca use as suas tetas para todos os portugueses, e não para quem demonstra ser bacorinho.

    
Junto-me assim ao coro de vozes revoltosas com a distinção de pensar no que digo antes de largar o bitaique e não possuindo uma agenda própria, já que pessoalmente não me revejo na sociedade actual portuguesa e pretendo viver grande parte da vida longe dela. Tentarei por isso olhar para Portugal como um problema crónico que necessita de uma cura e não um analgésico e penso rápido, que dispensa as as mezinhas e rezas dos antepassados, mas sim as soluções do pensamento crítico possível hoje.

     É-me evidente que em Portugal o Estado é Rei. E contrariamente ao que muita gente pensará, não julgo que isso por si só seja negativo. Da maneira como está implementado hoje é-o certamente, mas na sua essência parece-me até uma lógica positiva. Porque o Estado, Nós, necessitamos de um Estado forte e vigilante, graças à profunda cultura de chico-espertismo que grassa na nossa sociedade. Este é, no entanto, tão vulnerável a esse vírus intelectual como qualquer outra instituição. E isso é necessário combater. E combate-se como? Bom, não possuo resposta milagrosa, muita gente terá certamente uma visão mais correcta que a minha, mas do resultado de uma pequena reflexão surge-me como resposta a imperiosa necessidade de impedir que posições de governo sejam compatíveis com mais tardias recompensas profissionais. Um cargo público tem de ser um cargo de serviço civil, nada mais. Assim, proponho:

1. - Um membro de governo não pode ter qualquer relação com qualquer empresa (pública, privada, público-privada, não interessa) nos 10 anos seguintes à cessação do seu mandato, caso o seu ordenado seja superior ao que auferia enquanto pertencente ao governo.

2. - O ordenado de qualquer membro de governo não pode ser superior a 5 vezes o ordenado mínimo nacional. Parece-me lógico que alguém que governa maioritariamente pessoas que recebem o ordenado mais baixo possível no pais não tenha a estes uma distancia monetária muito superior aos seus súbitos, apenas assim compreende o impacto das decisões que impõe.

3. - Toda e qualquer decisão que implique gastos do erário público necessita de concurso público. Isto quer dizer que não mais existiria qualquer contracto com adjudicação directa. Impede-se assim o desfalque das contas públicas e uma maior igualdade de oportunidades entre a população.

4. - Ser deputado é uma representação parlamentar da opinião pública. Cada deputado representa as decisões e opiniões de toda a população portuguesa, é para e por isso que lá está. Ser deputado portanto é um serviço que obriga a constante modificação de pessoal, pois as pessoas não sabem constantemente o que o povo deseja, nem representa constantemente toda a gente. Parece-me lógico por isso que ninguém possa ser deputado mais de 10 anos. E que o ordenado auferido por estes não possa ser superior a 3 vezes o ordenado mínimo nacional. Isto evita que alguém utilize o cargo de deputado para proveito próprio e não para proveito público, ao fornecer-lhe uma remuneração que não cola com o estilo de vida faustoso a que aquela corja está habituada, obrigando-os a ter profissão declarada, com rendimentos declarados, e usando o cargo de deputado como um extra onde vai servindo a população geral. Não mais se fará de cargos políticos uma carreira profissional. Para reforçar isto, os deputados deixam de ser escolhidos pelo líder do partido politico. Sofrem sufrágio como os próprios lideres, estão sujeitos à escolha pública.

5. - Representar a vontade dos Portugueses é a razão pela qual o parlamento existe, legislar as leis que facilitam e ordenam a vida da população. Faltar a este dever é absurdamente desrespeitoso para com todos. Qualquer deputado que o desrespeite tem assim de ser chamado à responsabilidade desta falha para com o povo português: paga 10% do ordenado por cada vez que falta à assembleia, podendo faltar no máximo 10 vezes. E não existem faltas justificadas nem injustificadas, porque um deputado não é uma criança em idade escolar e se crê possuir o necessário para representar o país, fá-lo em consciência, sabendo que não vai necessitar de faltar ao prometido, seja por que razão for.

6. - O Estado tem actualmente um peso excessivo na sociedade civil na medida em que não gera capital suficiente para fazer frente à despesa. Creio no entanto que não se deve cortar gastos na saúde, na justiça, nos apoios sociais, na educação, na ciência e desenvolvimento. Isto são pilares basilares de qualquer sociedade e economia, quando estes abanam ou caiem, a sociedade destrói-se na base. E nós temo-los quase todos em muito mau estado de conservação. é Por isso essencial o Estado criar novas formas de receitas, e organizar-se para que os serviços funcionem melhor com o que possuem e provavelmente, sejam remunerados. Assim:
    
     6.1 - As escolas necessitam de ser locais onde se aprende. Onde há paz. Onde há igualdade. Casos de ofensas a estas três premissas    sempre existiram, sempre existiram, cabe a quem a governa que as minimize. A disciplina escolar é um monstro que come a educação por dentro. É o primeiro ponto a ser remendado. O professor necessita de ter mais poder, tem de ser o rei e senhor dentro da sala de aula, dota-lo da possibilidade de enviar alunos que não desejem aprender para fora da sala e dar oportunidade aos outros para o fazer. As salas deveriam ser gravadas: serviam de provas em tribunal no caso de alunos desrespeitosos, serviam para averiguar o comportamento dos alunos e assim perceber melhores maneiras de os ajudar/ ensinar, e seriam transmitidas através de canais públicos (youtube, dailymotion, qualquer serviço vídeo na Internet, acessível a grande parte da população) para que não só os professores fossem eles mesmos alvos de avaliação por qualquer português, como serviriam o ensino à distância.
     6.2 - Os Programas necessitam de ser profundamente remodelados. Há muito aluno que não quer estudar porque a escola não interessa. O que isto significa é que não deseja aprender os conhecimentos que lá são dados, mas muito provavelmente gostaria de aprender outros. É assim imperioso que a Escola seja mais prática: ensine carpintaria, mecânica, agricultura, programação, piscicultura e pescas, design web, design gráfico, enfim, matérias que os alunos olhem e percebam que lhes iram ser úteis para fazer alguma coisa da qual possam retirar retorno financeiro, um meio de subsistência. Os alunos, tal como os seus pais e professores, não querem ser miseráveis e pobres, e estar 12 anos numa escola a não saber nada, para nada, não é aliciante para ninguém.
     6.3 - Os professores não podem ser contratados indefinidamente. Um mau professor antigo é pior que um bom novo. Não pode parar no tempo. Tem de se actualizar constantemente, estar a par do que se passa no mundo e ensinar aos seus alunos como sobreviver nele. O professor É o exemplo a seguir, É a sabedoria, É a referencia. A carga burocrática tem de ser portanto mínima para que possa ocupar o tempo a actualizar-se e a pensar em maneiras diferentes de chegar aos alunos, e não pode ter uma situação profissional que lhe permita aconchegar-se a um sitio/ situação e nunca mais se preocupar com a sua própria evolução.
     6.4 - As escolas gastam muito, estão em mau estado e com pouco pessoal. É preciso estudar o que está errado e, depois, poder actuar com consciência de qual tem de ser a solução para o problema.
     6.5 - A saúde idem idem aspas aspas. Os médicos fogem dos hospitais, saltitam para consultórios privados fazendo fortunas. Nada contras fazerem-nas, mas sendo a medicina uma actividade de grande teor humanista, a salvação e apaziguação do sofrimento humano, parece-me lógico que este suplante tudo o resto. Assim, não percebo porque se há-de ocupar camas com pacientes que não vão mais ter qualidade de vida, que não mais se vão curar, que basicamente vivem para sofrer. Permita-se a essas pessoas acabar com a sua vida se assim o desejarem, propiciando-lhes cuidados paliativos se não o desejar. Instaure-se uma forte inspecção médica que minimize a incompetência que infelizmente grassa no nosso sistema de saúde, não se pode permitir por exemplo que médicos tirem o curso e não mais estudem, criando sofrimento com erros que resultam da sua própria ignorância.
     6.6 - É necessária uma educação sobre o sistema de saúde e como utiliza-lo, de modo a que o sistema funcione e não se verifique situações como as urgências a abarrotar de utentes que poderiam ser tratados em clínicas de saúde ou postos médicos.
     6.7 - O sistema Judicial está um caos. É imperativo simplificar as leis, torná-las mais concisas, menos abertas a diferentes interpretações, e inteligentes. O sistema actual pura e simplesmente apenas serve as bestas que delapidam o País.
     6.8 - Existem demasiados apoios sociais. Ou melhor, a sua carga sobre o resto do orçamento de estado é opressivamente grande. Impera reorganizar o sistema de apoio. Como? a minha ignorância não me permite responder, necessitaria de um conhecimento profundo de como se gasta o dinheiro e para depois poder entender como este poderia ser melhor distribuido.

     7. - A economia está de rastos e vai continuar de rastos enquanto a remuneração de referência for um valor que não permite sequer pagar uma renda e comprar comida. O problema da economia portuguesa reside no facto de a sua maioria não ter capacidade de consumir serviços, bens, ou os luxos mais simples. um quarto alugado custa em média 250 euros. Uma casa, sem grande qualidade, cerca de 500 euros. O ordenado mínimo é 475 euros. Não chega sequer para o aluguer de uma habitação. O ordenado mínimo serve de base ao sector privado, não é preciso um génio para compreender o quão absurdo é defender que estes baixem, pois tal só contribui para um afundar mais rápido do País. É que contrariamente a dar grandes somas de dinheiro a algumas pessoas, isto faz com que muita gente possa começar a gastaram possa começar a olear as engrenagens do consumo interno, faça o dinheiro circular dentro do país, faça com que muita gente vá lentamente enriquecendo, já tendo esperança, vá fazendo alguma coisa. Caso contrário, vai-se estar a dar dinheiro a umas poucas grandes companhias que findas as benesses financeiras vão para outro país. São necessários, mas não tão necessários como a população inteira a contribuir para a recuperação económica. Fora o facto de que permitem os governantes encher o bolso com mais dinheiro, desejo eternamente presente em quem tem algum poder. Assim, cerca de 700 euros de ordenado mínimo nacional, como na vizinha Espanha (com a qual partilhamos imensa coisa, como por exemplo um custo de vida semelhante (se não igual) e um preço de combustível mais elevado), permitia já algum desafogo e poupança, evitando miséria mais profunda e despesas em ajudas sociais. Até os governantes passariam a ganhar 3500 euros em vez de 2375 euros. É quase só vantagens.

     8. - Em Portugal não compensa ser produtivo. Não compensa ser competente. Não compensa ser profissional. Regra geral, as chefias não são responsáveis, não têm em mente o crescimento empresarial nem o bem estar dos seus empregados, e isto é um bom e firme passo para não existir. Como exemplo, a Google: horários de trabalho flexíveis, boa alimentação dentro da empresa, salas de descanso, sítios agradáveis de estar (e trabalhar), exigência de resultados. Não é certamente a fórmula mágica para o sucesso, nem se adapta a tudo, mas é um sinal de como se impõe no mercado inteligentemente (e convenhamos, o que a Google fez poderia ser feito nos USA, na França, na Grécia, em Portugal ou na Roménia, o lugar no mundo da web é do que menos importa). Em Portugal, se alguém tem uma ideia melhor que o seu superior hierárquico das duas uma: ou dá um passo para o despedimento por fazer sombra a este, ou vê o seu valor ser roubado sem o mínimo pudor. Isto é claramente errado. Não há empresa assim que seja produtiva, descodificando: a produtividade da maioria dos empregados é esmagada por decisões idiotas dos seus superiores. Esta gente que se vai desemerdando no meio empresarial português sem a mínima preocupação pelos seus erros idiotas e completa irresponsabilidade não pode ser levada a sério. Um dos grandes problemas portugueses é a incompetência das chefias (sejam elas em que profissão forem, em que negócio forem, em que lugar for da escala hierárquica de qualquer empresa). Como mudar as chefias é algo irreal e impossível, a única maneira de contornar este problema, evitá-lo e remendá-lo parece-me ser uma agressiva e forte fiscalização das leis de emprego, também estas necessitadas de profundas mudanças.

     O Portugal de hoje não sobrevive muito mais tempo, não tem condições para sonhar consegui-lo. A curto - médio prazo não tem também grandes condições de o fazer. Resta-nos olhar para o futuro e moldá-lo à sobrevivência. Isto tem de mudar, Nós temos de mudar, sobre risco de não mais sermos nós, não mais sermos coisa alguma. A mudança, essa necessidade eterna e inevitável, peca por tardia, e ou a consciencializamos agora, ou sofremo-la impreparadamente no futuro. Está nas nossas mãos, na geração vigente e na minha, arquitectar um futuro mais brilhante para Portugal. Decisões que nos permitam no futuro existir com condições. Parece-me a mim que a aposta nas energias renováveis é uma boa aposta, servir-nos à para não comprar energia, não estragar o ambiente, para poder vender emissões de carbono, para não ser vitimas dos choques petrolíferos que irão acontecer com cada vez mais recorrência no futuro. Isto no entanto serve-nos enquanto o resto do mundo não se adapta às novas necessidades. É um bom (muito bom) ponto de partida, que deveria até ser mais rápido e reforçado (por exemplo, a obrigatoriedade de todas as novas construções serem energicamente eficientes, não gastando energia, sendo o que se produz em centrais eléctricas energia para venda e industria). Mas isto só não nos permite a sobrevivência, é preciso ver e olhar o mundo para saber o que lhes vender e como nele sobreviver. Isto, a actualidade, é uma guerra pacifica que temos de ganhar sobre risco de sermos vencidos por nós próprios.

Monday, April 05, 2010

It will never stop my dear friends

Eu, André Filipe S. Cabrita, acho piada ao mediatismo que o escândalo dos submarinos está a ter quando comparado com o que freeport e face oculta tiveram, e com o quão no esquecimento caiu o escândalo U. Moderna e Casa Pia. O que alegra é que daqui a pouco tempo, quando mudar o partido governante, outro qualquer escândalo de proporções dantescas nascerá das profundezas da mesquinhice humana, continuando assim o eterno ciclo e podendo assim confiar na politica portuguesa para nunca nos dar um momento de tédio



Friday, March 12, 2010

A vampiresca politica

Dei por mim a pensar que não tinha qualquer legitimidade para criticar os políticos. Para questionar os seus inegáveis erros. Para opinar.
E não tenho, de facto, qualquer legitimidade para tal, pela simples razão de que não sei do que estou a falar. Passo a explicar-me: Eu, enquanto cidadão, tenho todo o direito de questionar quem me governa, pois foi a minha participação enquanto votante que permitiu, através do sufrágio, a eleição (ou não) de tais personagens. No entanto, que sei eu das pessoas que me governam ? Conheço o Primeiro-Ministro, mal e porcamente, ficando-me pela consciencia de que é péssimo engenheiro civil e um tipo aldrabão. Tenho uma vaga ideia de que a Ministra da Educação é, entre outras prováveis coisas que desconheço, autora de livros infanto-juvenis. De resto, verdade seja dita, pouco sabia sobre o assunto.
Como gosto do direito de opinar, e de opinar assertivamente, de modo claro e correcto, dei-me ao trabalho de procurar quem são as personagens que me governam nos vários ministérios.

Assim, posso dizer com legitimidade que não percebo como para Ministra do ambiente e do ordenamento do território, basicamente quem decide a estratégia organizacional do país, está uma senhora cujo currículo é ser engenheira sanitária e principalmente tratar de águas residuais (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dulce_Pássaro), fazendo na minha maneira de pensar muito mais sentido estar lá um arquitecto ou urbanista, já que seriam indivíduos com muito mais formação na área.

Ou porque é uma licenciada em línguas e literaturas modernas a responsável pelo Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, cuja única parte do currículo que se cola a este cargo é ser membro do conselho cientifico do instituto de investigação sobre o emprego numa universidade (http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Helena_André), e não alguém com formação em assistência social. Ou recursos humanos com consciência social. Ou outra área que de facto conheça a fundo, mais que apenas estudos académicos (que por vezes pecam por parcialidade e/ou incapacidade de abarcar os temas na sua completa extensão).

É-me incompreensível como o dirigente do Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações tem formação de economista (http://pt.wikipedia.org/wiki/António_Mendonça). Sendo este um Ministério que trata fundamentalmente das infra-estruturas do país, não faz muito mais sentido que seja coordenado por alguém com formação de engenharia civil? ou planeamento de vias de comunicação? ou algo que tenha de facto a ver com as infra-estruturas físicas do país?!

Ou por exemplo o Ministério da Ciência e Ensino Superior ser um Engenheiro Electrotécnico (http://pt.wikipedia.org/wiki/Mariano_Gago)? Á partida, este até é um bom exemplo de alguém que está, de facto, como peixe na água. No entanto, o ministério que tutela é tão abrangente que, creio, faria mais sentido ter alguém da área da investigação cientifica (já que conhecerá melhor de certeza as necessidades e dificuldades da ciência em Portugal), com experiência em pedagogia. Ou alguém de áreas do Ensino Superior que tenha no currículo ou participação na vida popular a luta pela melhoria da intelectualidade portuguesa no campo da ciência e educação superior?!

É-me dificílimo de perceber como para Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas vai alguém doutorado em Gestão de Empresas, alguém cuja ligação ao assunto foi ter sido director do Gabinete de Planeamento de Política Agro-Alimentar do Ministério da Agricultura (http://portal.min-agricultura.pt/portal/page/portal/MADRP/PT/servicos/ministerio/mbr_gov/mntr/perfil). É que passa-me pela cabeça a seguinte pergunta: Não estará para o cargo muito mais bem preparado alguém com formação em Engenharia Agrária? Esse pelo menos foi educado para perceber, conhecer e saber trabalhar em duas das áreas de actuação do ministério. Ou em Biologia Marinha, já que pelo menos teriam estudos numa das áreas do ministério (e visto que "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem", que grande parte da nossa população e actividades se encontram perto do mar ou a ele ligado, não julgo ser opinião de todo descabida).

Não compreendo como para ministro dos negócios estrangeiros temos um licenciado em economia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Amado). Não compreendo. Havendo tanta gente no país com canudos de ciência política, de
estudos europeus e relações internacionais (só para falar nas licenciaturas, porque se formos olhar para os mestrados e pós graduações que servem para o cargo, a lista seria bem maior), como vai alguém com aquela experiência profissional para ali?!

Tal como não compreendo porque para Ministro da Administração Interna não está alguém com formação na área das políticas de segurança. Ou ciências policiais. Ou segurança interna. Não é que a formação em Direito (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Pereira) seja completamente desadequada, mas julgo que o lugar dos juristas é outro que não este, nomeadamente na criação de leis aplicáveis e úteis à sociedade. Se não houvesse gente capaz de e formada neste assunto especifico, compreendia-se. Não sendo esse o caso, parece difícil de perceber.

Incrível é ainda a ascensão a Ministro da Defesa Nacional um homem cuja formação e currículo se centra numa licenciatura em história e um doutoramento em Sociologia. Nenhuma experiência na coordenação, manutenção, organização ou actuação de forças armadas, do pessoal com armas, das pessoas que zelam pela estabilidade, segurança e independencia nacional de modo mais "físico". Nada.
Não é claro que para para cargo de tanta responsabilidade é necessário alguém que perceba profundamente do assunto?! Não existe por aí nenhum general, major, comandante ou outro qualquer cargo militar que perceba do assunto e tome as rédeas dos militares!? há assim tanta inexistência de gente competente e responsável nesta área que se tenha de ir buscar alguém que nada tem a ver com o assunto para o coordenar?

Que raio de mensagem se passa ao mundo quando se fazem estas opções? quando se tomam estas decisões?
Não estou a dizer que estas pessoas enunciadas são incompetentes; nunca trabalhei com elas, nunca tive meio de em primeira pessoa poder verificar a sua competencia na area em que estão. Parece-me no entanto que as discrepâncias educacionais entre formação e actividade estatal são tão abismais que denunciam automaticamente que algo está errado. Que "isto", Portugal, não pode dar certo. Que por muito esforço que estas pessoas façam (e aqui dou-lhes o beneficio da duvida de querer acreditar que perdem noites de sono e anos de vida a esforçar-se pelo interesse nacional) pura e simplesmente não estão habilitadas com um conjunto de conhecimentos mínimos a uma satisfatória concretização da tarefa a que foram propostos. E parece-me a mim também que nós, portugueses, na sua larga maioria, não somos merecedores dessa satisfatória concretização pois nem sabemos conscientemente as pessoas que o deviam fazer.

Monday, March 01, 2010

The last dance rarely is the last one.

A música soava pelo salão enquanto entre vários pares dançavam vestidos a rigor, trajadas para um momento social tão banal que apenas o preço das roupas lhe dava alguma dignidade. O clima de declarado engate de meia idade enojada qualquer alma que não desejasse sexo naquele momento. Enquanto se olhavam e tocavam num reles tango, soltavam um ameno diálogo:
- Nunca fui de grandes conversas
- Nunca te quis a conversar
A repulsa atingia ambos. Aquilo era demasiado cliché para qualquer um dos dois.
- Sabes, isto é mau demais.
- Eu sei.
- Não sabes. Soubesses e não participavas neste preliminar que a ninguém satisfaz
- Porque participas então tu?
- Porque me aptece.
Mentira
- Porque te aptece? que raio de resposta?
- Merda de resposta. Que merda de resposta
- Desculpa?
- Não desculpo. Odeio quando me tentam convencer que têm uma dignidade perdida há anos atrás
- Esta lengalenga alguma vez resultou?
- Sempre
- Hoje não é sempre
e sorriu, convencida de que seria a que lhe era superior e saía por cima
- Oh but it is
- para que o inglê?
- Para que as perguntas?
- Para que esta estúpidez?
e agarrando-a pela cintura, atrevidamente perto das nádegas, beijou-a
e ela, após aproveita-lo, recusou-o:
- É preciso atrevimento! - com todo o cinismo que todas as mulheres têm
- É preciso ser hipócrita, sabes tão bem como eu que o queres
- E não páras!
- Porque o faria? sabes que acabas a noite numa cama comigo, antes de abalares envergonhada por mais uma vez foderes contra os principios que os teus paizinhos te ensinaram, também eles hipocritas numa educação que não seguiram
- é que nem mereces resposta
- Não há resposta. É a verdade.
e era
- Olhe, vá-se foder! - disse ao ter de admitir a si p´ropria que a sua segurança e perspicácia pouca margem de manobra lhe davam para o recusar em si.
- Pois vou.

Não foi preciso muito para que ao sair dos seus braços se agarra-se ao alcool colorido que abundava na mesa. Alegre lubrificante mental. A ele bastou-lhe esperar, o isco estava lançado, a raiva da indiferença a que estava a ser submetida não podia passar impune. Ela era mulher, Tinha de ter a última palavra. Bebeda, magoa com a sua inferioridade no momento vivido há pouco, confrontou-o:

- Fica sabendo que
- Voltas-te? ainda não te chegou ouvires o que sabes ser verdade uma só vez?
ela desmanchou-se
- Não tem o direito. Você não tem o direito de me flar assim. de me dizer essas coisas. de ser a besta que foi.
- Eu não tenho o direito de te dizer a verdade?
- ...
agarrou-o.

uma hora depois ele vinha-se para cima dela, com a maior das faltas de respeito.
Quando se cansou, vestiu-se e veio-se embora. Nem um adeus. sozinha, na cama, chorou a sua fraqueza quando ele lhe susurrou:
"só porque querias que me viesse foder".
Jurou com coragem que nunca mais.





Mas ela é humana. Um mês e picos mais tarde, o amigo da amiga fez-lhe a dança do cio. E, novamente, a mesma vergonha que a acompanharáaté à morte. Ele morreu uns dois anos mais tarde, vitima da sida ganha pela sua constante e aventureira estúpidez. É que às vezes quem fode acaba fodido, e ela, por muita vergonha que passe, teve sempre nas mãos a graça do último riso

Fly!

Há alturas na vida em que temos decisões a fazer.
Em que não há tempo para hesitar, dúvidar, pensar sonhar desesperar chorar ou rir. Só agir.

Pensava nestes contratempos pré-suicidio quando olhava as pessoas a apontarem de boca tapada, num misto de choque e desejo pela desgraça alheia que nós, humanos, as eternas bestas, sempre partilhamos. Pessoas. Merda para elas. São elas as culpadas, sempre foram elas as culpadas, elas é que fizeram o meu sofrimento. O Mundo não percebe, não me merece, eu não me mereço. é o fim

As pessoas olharam-na fazer uma caralhada, uma última ofensa, e depois o desfalecimento. Não saltou, não abraçou a morte com coragem. Não há coragem na morte, há o conformismo de não lhe escaparmos. Ninguém morre com coragem, para que fingi-lo? inclinou-se para o nada, de cuecas e uma t-shirt oferecida pela publicidade, com uns alegres bonecos que tornam a situação ridicula. As senhoras gritaram de olhos fechados, os homens viram-na desfazer na calçada portuguesa do século XVIII, rebentando num vermelho-sangue partes da sua pele.

Todos os possiveis lirismos sobre o nosso fim desfazem-se quando encaramos a morte de caras.

Ninguém podia perceber o porque de alguém belo, conhecido, com amigos, "pessoa de bem", quereria acabar assim, aos 19 anos de vida, um promissor futuro. Ninguém podia perceber porque quem a viu, tal como ela, até ai vivia numa infantilidade de cosnciencia. Ninguém até ai tinha crescido para lá da obrigatoriedade de todas as manhãs acordar para um trabalho que lhe pague as contas. Porque as pessoas que, expectantes, assistiram este belo espetaculo, eram "putos e pitas" em corpos demasiado grandes para a sua "idade". Ninguém percebia assim, por ignorancia, que a única coisa que se tinha passado fora a incapacidade de pobre criança encarar o mundo como ele é; podre, desonesto, cínicamente hipócrita e triste na sua completa humanidade. Ela pura e simplesmente cresceu, comeu e não conseguiu engolir o ar que respirou toda a vida. E, na sua enternecedora revolta ganha a uma sociedade errada demais para ser aceite pela mais simplória inteligencia, reagiu como qualquer bebé reage, foge. Mas do mundo so se foge para a morte. Não lhe há escapatória. Agradeceu assim a dádiva da engritude e determinada cagou para o mundo, mandou-o convictamente para o caralho, e estatelou-se no chão ácreditando num depois que nunca aconteceria.

Infeliz o momento em que isto virou mentira, o medo sorriu-lhe maléficamente e o pânico domou a coragem da criatura, sendo seus receios apenas amparados pela pedra que lhe roubou a vida.

Fim.

Tuesday, February 16, 2010

olá WW3

Os politicos são os novos judeus (sem qualquer desrespeito pela religão judaica). O que é algo preocupante: a sua existencia foi um extraordinario pretexto para se coeçarem duas guerras que marcaram profundamente o mundo. Portanto.. pois.

Sunday, November 29, 2009

Ralph Nader said

turn on to politics, or politics will turn on you

Friday, November 13, 2009

Lugar nostálgico este

Gosto de me sentar assim à janela, olhando o céu, aquecendo-me com o suave calor do sol de Outono. Espero o atrasado Inverno aqui, olhando o mar, sentindo-o a lutar com a escarpa que sustem cá em cima. Oiço, entre vagas e gaivotas, Miles Davis, a minha única companhia neste idílico cenário.

Irrompe-me pelas narinas o cheiro a maresia e alecrim da flora mediterranea, aquecem-me a alama na sua calma e previsibilidade, na sua confiança de que sempre lá estarão para me satisfazer.

Lugar nostálgico este.

Relembro com alegria os meus momentos de ouro, guardados e agarrados com as minhas prenes garras emocionais, com toda a força a tudo o que me é mais querido. Relembro.

Sorrio, fecho os olhos e oiço este paraiso, enquanto adormeço para não mais acordar.

Thursday, November 12, 2009

damn

what the fuckin' hell is happening with me?!

Sunday, November 01, 2009

yes, did it my way

Há quem viva para ser rico. Para foder. Para fugir. Para qualquer coisa.

e depois, há quem viva para viver. E quem não ouve isto e sente um arrepio na espinha ao compreender completamente o grande Frank, não merece nem de perto nem de longe o meu sincero respeito:

My Way - Frank Sinatra

And now, the end is near, and so I face, the final curtain.
My friend, I'll say it clear,
I'll state my case, of which I'm certain.
I've lived, a life that's full, I've traveled each and every highway.
And more, much more than this,
I did it my way.

Regrets, I've had a few, but then again, too few to mention.
I did, what I had to do, and saw it through, without exemption.
I planned, each charted course, each careful step, along the byway,
and more, much more than this,
I did it my way.

Yes, there were times, I'm sure you knew,
When I bit off, more than I could chew.
But through it all, when there was doubt,
I ate it up, and spit it out.
I faced it all, and I stood tall,
and did it my way.

I've loved, I've laughed and cried,
I've had my fill; my share of losing.
And now, as tears subside, I find it all so amusing.
To think, I did all that, and may I say --- not in a shy way,
"Oh no, oh no not me,
I did it my way".

For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught.
To say the things, he truly feels,
And not the words, of one who kneels.
The record shows, I took the blows ---
And did it my way!

I did it my way.

Thursday, October 15, 2009

Narciso

"quando aqueles que me rodeiam não concordam com o que penso, digo ou faço, o tempo encarrega-se de cruelmente explicar o seu ignorante erro."
(Obg A. por recordares o esboço)

Friday, October 02, 2009

Fallout

Entretia-me com o gosto do chá e escrevinhando no moleskine, iluminado pelo candeeiro kitch com abajur de flores rosa de vidro, acompanhado por uma doentia discussão familiar na mesa vizinha e pela música calma que me inspirava o momento através do iPod, deitando no papel banalidades sem grande nexo ou interesse, dando mais atenção aos veios da mesa de um belo mármore branco do que ao chorrilho de idiotices que ia transmitindo ao mundo através da escrita.
Gostava destas tardes, sozinho, numa solidão provocada e desejada, onde eu era eu para mim, quandopodia dar-me atenção, não perturbado por ninguém nem nada, fechado no meu mundo, minha zona de conforto, meu Lugar, minha casa mental.
Perdia-me me mim.
Amava-me mais profundamente do que na altura poderia perceber, a idade a tal ainda não dava direito, inexperiente inocência que tanta saudade me provoca.
Olhava-me magro pelas longas mangas do pólo, tamanho acima do meu, exagerado na proporção, preço e despreocupação com que tinha sido escolhido.
Nunca fui individuo de imagem, nunca o quis ser, talvez por inabilidade ou facilidade.
Quando o mármore perdeu seus segredos, a minha atenção procurou outra vitima.
A discussão continuava, amarga e desagradavél, para meu grande deleite. Não sei porque me divertia os problemas alheios, nem o que poderia ter de divertido uns avós raivosos com a filha mãe-adolescente a quem a vida, sem surpresa, não teria corrido da melhor forma. Nem o quão engraçado pudesse ser a culpa indeclarada que a mesma mãe punha no seu filho, infantil ainda nos seus 7 anos de idade, suficientes para compreenderque ele era o erro de não sabe o quê. Gargalhada interior e maliciosa libertei no meu inconsciente à irresponsavel criancice sexual da jovem mãe. Mas não compreendia a minha crueldade, do mesmo modo que não compreendia porque naquele quente dia de Outono as folhas tinham de deixar de cair.
Após o estrondo, após a luz, após a onda de choque, a poeira e o som, o cogumelo de fumo e fogo que apenas subentendi, a destruição. Não mais tive tempo para mim, nem para o meu chá de tilia, para a familia disfuncional ou o meu disfuncional feitio.
O inicio do fim dá-nos tempo para apenas duas coisas: Morrer de imediato ou devagar.

Wednesday, September 23, 2009

O Pais das Maravilhas

De facto, a riqueza de um pais faz-se pelas PME's, é aqui que grande parte da riqueza de um pais é criada, e portanto, é aqui que reside o backbone de uma nação. No entanto, de nada serve alimentar este pequeno monstrinho, já que o problema estrutural de Portugal (e provavelmente do mundo) reside precisamente no modo como as pequenas e médias empresas funcionam ou, melhor dizendo, como a riqueza que geram é distribuida. É inegável a qualquer trabalhador portugues as quantidades ridiculas de vezes em que se é explorado no trabalho, tal como é ridicula a quantidade de vezes em que os mesmos patrões que se dizem tão defensores de uma igualdade, de uma maior distribuição da riqueza, de uma maior igualdade, de toda e qualquer patranha igualitária dita apenas para compaixão do próximo e aumento do seu mesmo capital sejam depois na realidade os que mais exploram o proletariado. O País é, e será sempre pobre, pois a grande massa populacional não tem meios de subsistencia decentes. O patronato desejará sempre pagar o ordenado minimo, independentemente da ocupação do seu trabalhador/ suburdinado, isto é regra em todo e qualquer meio de trabalho, e só não paga menos porque não pode. Haverá ainda os que "podem" pagar menos, arriscando-se a sofrer com uma fiscalização laboral que não existe, permitindo um misto de escravatura remunerada com desespero salarial em que grande parte da população vive (basta perguntar a um empregado de café ou restaurante quanto ganha para de imediato se perceber a sacanice nacional em que todos ocorremos e ocorreriamos se na pele do Patrão estivessemos). Isto não pode no entanto ser criticavel, pois como já disse acima, na mesma situação todos agiriamos do mesmo modo; é caractristico do ser humano não ser alturista, e por isso sempre desejamos mais para nós em vez de o melhor para todos. Parece-me assim claro que o melhor para todos não pode ser lago deixado às regras do mercado, não se pode esperar que este seja digno para com o ser humano e se auto-regule, não se pode esperar que a bondade humana impere no mundo empresarial. Urge por isso a necessidade de penosas punições para quem não cumpre a lei, para quem não remunera consuante o trabalho em questao e para quem falta aos cumprimentos: é a base de um estado de direito em que de facto as pessoas trabalham para viver, e não sobreviver mal e porcamente.

As PME's vivem actualmente, de facto, periodo negro, a "Crise", monstro constante no imaginario portugues desde que me lembro (a sua raiz está talvez em 1700 e qualquer coisa) destroi a inciativa privada desde sempre. O curioso é que apesar disso há sempre empresas e companhias que conseguem ainda assim criar lucro e sobreviver, muitas até lucros espantosos (quem diria, em portugal!). No entanto a principal workforce vive no tal ordenado minimo. Que por sinal, nem para mandar cantar um cego chega. E que por sinal é ganho num qualquer trabalho enfadonho mas de imperativa importancia, desde as 8h até as 5h, com uma hora de almoço. Enquanto estas pessoas, esta basilar força motriz, não tiver condiçoes para comprar casa, ter carro, comer carne e peixe quando quiser, ir ao cafe, sair com os amigos, etc etc etc, nunca nada vai andar bem, pois não haverá uma quantidade suficiente de pessoas a pagar luxos, consumo, que permita a existencia de ainda mais empresas, ainda mais serviços, de uma economia. A ocorrencia de gestores e semelhantes gurus empresariais parece.me a mim a maior idiotice à face da terra, desde o seu "nascimento" as mepresas cresceram exponencialmente em termos de lucro mas à custa do assassinio da economia. Enquanto que uma empresa ganha incomensuravelmente por pagar uma miseria a grande parte dos seus trabalhadores e uma fortuna as sanguessugas que decidem estas politicas, a sociedade no geral ressente-se por a pequena elite gerar fortuna que guarda em bancos e ocasionalmente gasta em putas e vinho verde e a granda maioria trabalhadora mal ter capital para pagar a gasolina casa e comida. ISto não sustenta um pais. Nunca sustentou, nunca sustentará. A única coisa que, ao longo de milénios, este tipo de Feudalismo criou foram profundas desigualdades sociais e atritos entre classes sociais, resultando invevitavelmente em revoluçoes e golpes de estado e outras brincadeiras que em nada ajudam aum desenvolvimento humano continuo e fluido. Aliás, esta idiotice geral tem tido como absurdo resultado uma criação continua de tecnologia de guerra que é depois aproveitada pela sociedade civil.

Parece-me assim que uma resolução incrivel simples para este problema poderia ser atingida com uma medida, apenas uma, que a ser implementada e fiscalizada para que de facto acontece-se, resolveria grande parte dos dramas sociais que hoje vemos. O maior ordenado dentro de uma companhia, seja ela qual for, de que ramo for, pública ou privada, não interessa, poderia apenas ser 5 vezes superior ao mais baixo. E isto com todas as aldrabices que se costuma fazer (telemoveis e carro e casas pagas por empresa, bonus de produtividade e essas mordomias todas). Por exemplo, o mais miseravel so ganhava 1000€. pois bem, o patrão só poderia ganhar 5000€. Como patrão algum só quer ganhar 5000€, quando subia o seu subiria também o dos seus subordinados. e assim o gap entre ricos e pobres (que e afinal o centro da discordia) reduziria-se. o Dinheiro teria mais valor. Seria mais bem aproveitado, existiria mior quantidade a mudar de maos para maos, mais zé povinho a gastar e mais zé povinho a ganhar, mais patronato a ter onde gastar fortunas e mais fortunas a serem geradas. Após esta pequena medida simples de se controlar e vigiar estar em prática, após estar assegurada uma mais justa divizão do capital pelas PME's (e grandes empresas, isto serve para todas), está-se então em condições de dar ajudas monetárias às PME's para que estas cresçam, ao invés de apenas crescer o bolso dos conselhos de administração e patronato.

Simples não é?

Friday, August 21, 2009

criancices

afastas quem te quer, queres quem te afasta. estúpido rapaz, és estúpido

Mais forte que eu

Sofro sempre com a tua ausencia, sofro mais com a tua presença; não és nem foste, nunca serás, tão boa como eu. Sabemos ambos que se as pessoas estivessem categorizadas em patamares tu estarias num qualquer inferior ao meu, fui sou e serei sempre superior a ti, poucas vezes roçaste o meu mais baixo momento de glória. Não é Ego elevado, não é alienação do que me rodeia, é simplesmente mediocridade tua.

E, mesmo assim, encantas-me. Não percebo como, nem sequer porquê, mas tu és algo superior ao meu bom senso. Por mais que racionalize, sobrepões-te: não és Bela, não tens um invejável físico, não tens uma adorável personalidade, não te preocupas com quem quer que seja a não ser tu própria, és basicamente uma besta. Mau ser humano, não chegas a ser sequer pessoa. Por mim, morrias numa valeta, abandonada de qualquer compaixão. Mas quero-te.

Desejo-te de uma modo estúpido, de uma maneira incompreensivel, ridicula, idiota e absurda. Ter-te seria estranho, creio até que triste, mazoquista talvez.

Gostava de ser Grunho. Estúpido mesmo. Pensar como os animais e as pessoas "gaja, bora", "Cona, siga", "é muita boa, tá muita bom". Era fixe. Popular até, numa de puto crescido que ninguém sabe como mas admira pela capacidade incompreensivel de engatar o sexo oposto com estranha facilidade que todo o sexo masculino quer e todo o sexo feminino deseja (viva o mais basico darwinismo)...

A solidão é fodida.

Com tanta gente conhecida. Com tanta coisa vivida. Com tanta memória numa mente incapaz de lembranças, uma pessoa sente-se absurdamente sozinha. Acordas e deitas-te a pensar que toda a tua vida será uma máscara e mentira, uma falsidade cinica que toda a gente aplaude e lembra, critica ou aplaude.
Ninguem gosta ou gostará de ti, toda a gente terá SEMPRE a sua agenda própria, toda a gente quer saber de si e está-se a cagar para o próximo, todos nós criamos o nosso quinhão de sociedade isolada em si mesma, centrada na nossa pessoa. Todos nós conhecemos meio mundo e não conhecemos ninguém, até ao absurdo de não nos conhecermos a nós próprios.

A metafisica é coisa de adolescente, questões existenciais são o dia a dia da nossa juventude e pagode adulto sobre a gerção anterior, mas é na verdade aquilo de que fugimos à medida que crescemos para não nos enfrentarmos a nós mesmos. Pensar na vida e em nós é o mais cruel acto a que nos submetemos, porque é ai que vemos o fracasso de ser humano que somos. Somos niguém, ou melhor, somos todos. Somos iguais ao mundo, não somos ninguém, somos um mesmo produto da educação a que somo submetidos ao longo de anos, uns atrás dos outros, degenerações atrás de degenerações. A mesma caca que eramos à séculos atrás, com as inevitáveis alterações que a tecnologia e conhecimento obrigam. O pensamento filosófico francês é claramente partilhado aqui apesar de o recusar: nós temos a capacidade de o alterar, o ser humano não está condenado a ser um infeliz e cruel ser vivo, nós é que escolhemos assim ser; a sociedade somos nós, e nós escolhemos (por vezes) as acções que cometemos, nós somos (em certa medida) os donos do nosso destino, nós queremos ser uns merdas. Nós não queremos pensar no que fazemos, nós não queremos perceber o que fazemos, nós não queremos ver que caminhamos numa direção linear sem saida onde progressivamente suicidamos a sociedade enquanto estrutura capaz de resistir à prova do tempo.

Sinto-me como o professor chines isolado do mundo (ver "A Longa Marcha" de Ed Jocelyn e Andrew McEwen, só assim numa de sugestão literária (confesso que o livro é relativamente desapontante) ), retido numa aldeia onde toda a população tem uma mentalidade do século XVII. Quase toda a música que gosto, toda a gente ou não gosta ou não conhece, quem conhece raramente (verdadeiramente) aprecia. Quase ninguém lê, ridicularizam esse acto basilar de crescimento intelectual. Entre um documentário e uma porrada de wwf, viva a wwf, ver cacetada combinada é que satisfaz o pessoal. Saber o que o regime Nazi ou Estalinista fazia com os prisioneiros dos campos de
concentração/ gulags é saber demais e ser estranhamente extremista ( ?). Entre a historia politica do pais ou da europa nos ultimos 30 anos e uma serie merdosa (lanço a farpa à palhaça de Grey), baba-se tudo pela cinzenta.

Olho para o lado e vejo-me cercado por ganzados, cocainados, bebados (n sei ate que ponto me inclui-o nesta categoria), viciados de todo o tipo. escapes e escapes a realidade, avisados por tudo e mais alguma coisa.

Cortamos as nossas pernas por gosto. Tantos telhados de vidro. Que escravos da vontade.

Fiquei sem vontade de continuar

Thursday, August 20, 2009

wha' ?

a minha progenitora, em alegre conversa, expressou (com alguma dificuldade) que eu era obcessivo compulsivo por apenas aceitar e tentar que tudo seja racional e tenha uma justificação clara e sustentada.

han? porque raio haveria de crer e aceitar que as coisas são porque são e satisfazer-me com o "porque secalhar é porque isto e aquilo que "ninguém sabe" nem "interessa saber" "?

hmpf.

Wednesday, August 12, 2009

Eleições

Em tempo de eleições, sabemos todos (espero) que qualquer palavra, discurso, crónica, etc. debitada por membros de partidos e/ou gente com ligações/aspirações partidárias ou até com o desejo do muito português tacho não possam ser levada muito a sério, mais não seja por simplesmente serem pedaços de intelectualidade parciais e obviamente falaciosos. No entanto, há sempre uma certa verdadenas suas palavras, caso contrário tudo isto seria tão ridiculo que até o mais idiota dos eleitores riria de toda a democracia. Importa assim pensar sobre o que nos "dizem" e fazer m julgamento imparcial das nossas próprias aspirações e desejos.

Em Portugal, há duas opções de governo: PS ou PSD. Qualquer outro partido, actualmente, apenas se pode iludir quanto a governar o país. Declaro desde já a minha inclinação politica pela esquerda, apesar de me considerar apartidário: os interesses de partidos nunca beneficiam as massas populacionais e o bem destas é que considero essenciale importante, o resto é superfulo, dai não acreditar em partido algum, da esquerda à direita, dos extremos ao centro.

Qualquer partido que prometa Emprego está a mentir: é algo que apenas muito indirectamente está nas mãos de um governo, seja qual for a ideologia ou cor politica, controlar. O Estado há muito que perdeu o controlo da economia, e neste ponto concordo em absoluto com a lengalenga da direita PSD sobre a importancia das PMEs e do apoio que estas necessitam do estado, nao creio no entanto que o estado deva injectar constantemente subsidios e capital nelas: uma empresa gera dinheiro pela sua actividade profissional e competencia, não por o estado a permitir sobreviver num estado morte eminente. No entanto, para que possam sobreviver as PMEs, é necessário um conjunto de infra-estruturas (não apenas fisicas) que suportem o nascimento e crescimento destas, dai considerar essencial que antes destas se criem as redes necessarias ao livre-transito de informaçao e bens, humanos e materiais, entre o país e o estrangeiro, preferencialmente até o segundo, pois o nosso país pela sua escala está condenado a ter de se relacionar com os outros mais do que conosco se tem algum desejo de se impor como nação digna desse nome. Assim sendo, TGV e Aeroporto novinho em folha são necessários, apesar do encargo que representam para as gerações futuras (pergunto: o Aeroporto da Portela quando foi feito foi pago de imediato? não teve consequencias nas gerações seguintes à que o planeou e contruiu? recebia já o volume de tráfego aéreo que recebe hoje e que consegue comportar? a rede ferroviaria do país caiu no nosso territorio de imediato e à borla? a rede de estradas e auto-estradas (que considero excessiva) construiu-se num dia? custou 0€? Alguém nega a necessidade e a mais valia que, apesar destes contras, estas estruturas hoje nos são?). O traçado do TGV concordo em absoluto que é discutivel, apesar de considerar benéfico para o país, a médio/longo-prazo a sus existencia.

O problema em Portugal de se dar apoio às PMEs é que estas, na sua grande generalidade, são geridas por negreiros modernos. Não geram, de facto, riqueza, pois o capital que estas geram não se dissipa na população activa do país, mas num grupo algo restrito. A grande maioria das empresas paga menos que o ordenado minimo nacional ou este, que é claramente insuficiente para o preço que tudo custa. Quando não assim é, as empresas vão-se servindo constantemente de estagiários, que trabalham ou à borla e por amor à camisola (leia-se esperança quase sempre vã de conseguir um emprego porcamente mal pago) ou por uma ninharia miserável que nem para pagar as deslocações ao local de trabalho chega. E isto acontence tanto com pessoas sem qualificação académica/profissional como com as que a têm.

Enquanto não existir um forte sistema judicial que puna EXEMPLARMENTE este tipo de escravidão mascarada de nada serve injectar capital nas PMEs, é como dar dinheiro a ladrões para minimizar o crime.

Outra premissa importante ao crescimento das PMEs é o facto de que são estas que empregam grande parte da população, e uma grande parte da (desta) população está no desemprego. E a maior parte da população activa desempregada são precisamente jovens e recém-licenciados (+/-30% jovens contra os quase 10% que são toda a outra população desempregada). Recém-licenciados que, literalmente, pouco ou nada sabem e assim também não podem ser nem úteis ao país nem úteis a si próprio, pois um canudo só por si não significa competencia nem conhecimentos nem profissionalismo.

O Ensino Universitário em Portugal devia ser Vergonha Nacional. As instituições que supostamente preparam as pessoas para uma vida profissional neste território à beira mar plantado fazem um trabalho ridiculamente mau. Não consigo compreender como é possivel que alunos faltem a aulas, não façam testes, não presenciem aulas teóricas, acabem cadeiras com notas relativamente boas, muitas vezes sem sequer ser pelas inevitáveis cunhas (que em qualquer lado sempre existirão). Acho Absurdo que se tire um curso superior com cadeiras mais fáceis que disciplinas do secundário. Como pode ser superior se um adolescente sabe matérias mais complexas? que conceito de Superior é esse?
Considero Absurdo que no ensino superior se possa fazer coisas absurdas como fazer apenas uma cadeira, ou nenhuma até. Se um aluno não tem um aproveitamento decente, não merece estar numa universidade, vá-se embora e ceda o lugar a alguém que de facto deseje aprendar e saber. Para que isto aconteça, também a avaliação tem de ser revista: actualmente é uma verdadeira palhaçada. Impera a cábula desenfreada com muito pouca consequecia quando descoberta, impondo-se até com algum ajuda dos professores que pura e simplemente não querem saber. Os critérios de avaliação são também em demasiadas áreas e cadeiras propositadamente subjectivos de modo a permitir-se que caba à vontade do professor a avaliação, sobrepondo-se não raras vezes a opinião pessoal do professor e o agrado que certos alunos lhe dão, invés de se avaliar o real valor das capacidades e conhecimentos do aluno, variando até os critérios de avaliação de aluno para aluno de modo a justificar notas.

Assim se compreende como Portugal continua e continuará constantemente vitima das raivas e vingançazinhas politicas dos eleitores, de 4 em 4 anos muda-se a cor partidária, ou no máximo de 8 em 8, mudando as pessoas o seu voto de acordo com o enjoo que têm com o governo actual e não com as medidas realizadas ou por realizar, pois tudo no país falha, tudo o que são problemas primordiais no país são segundo plano prepositadamente, sem que as pessoas realmente se mexam contra este ridiculo estado da nação pois no fundo, no seu intimo, até não se importarem com este paradigma, desejando apenas sair do fundo da cadeia alimentar e subir de escravo para negreiro, iludindo-se na possibilidade de isso realmente vir a acontecer numa sociedade cada vez mais semelhante a feudos medievais, cuja grande diferença é o que hoje em dia são esses "feudos".

As eleições não servem assim para grande coisa. Servem principalmente para termos a satisfação de vivermos numa democracia, onde de 4 em 4 anos podemos escolher as viboras que nos irão envenenar.

Saturday, July 18, 2009

Giro

O mundo está todo ao contrátrio. tudo está errado. todo a governação dos paiss, todos os regimes autoritarios e dictatoriais estão conceptualmente alienados da essencia humana, nada funciona como é suposto. O Homem tem de ser mais Humano, mais sentimental, mais bonito, mai pacifico, mais perfeito, muito, muito mais correcto. Não pode mais continuar na porcaria psicológica que fomentou durante a imensidão temporal anterior ao momento deste Post. Nao podemos continuar a ser Maus. Não podemos continuar a ser Errados. Urge uma Puirificação intelectual interior e intelectual. Temos de no banhar numa cultura de competencia humana inexistente até hoje.

Giro. Basta escrever, dizer, transmitir lugares comuns, coisas que todos nós conhecemos, num qualquer local/ meio conhecido por todos mas ainda algo "elitista" para que, num ambiente interior, seja percebido como mensagem profunda e correcta, independentemente de ser o mesmo de sempre, algo já sabido. O facto de todos nós desejarmos um mundo melhor, uma realidade melhor, e sabermos como a tornar real, e sabermos que, no fim, depende de nós a sua existência, faz com que aquando lido se tenha a sensação de que alguém pense o mesmo que nós. Alguém também já descobriu o fogo. Não estamos sozinhos. Faz com que, Meu Deus, também nós somos espertos e percebemos o que está mais para além da fachada do mundo real.

É assim que funciona a politica. Dá-nos frases feitas para termos fé. E a realidade, o mundo real, o impacto do que de facto acontece, faz com que boas intenções não passem disso mesmo. Mas continuaremos sempre a acreditar na possobilidade do futuro promissor.

Temos assim de lutar contra os politicos, pois nunca serão mais que hipocritas sociais à espera de sobreviver à conta do povo, tal qual nobreza do século XVII. Matemo-los todos, revolução! Morte aos Czares do Século XIX, nascidos na rica burguesia! E, no fim, alegria. Voltaremos sempre ao mesmo, a história repete-se.

Friday, July 03, 2009

Nostalogia

Amo o meu Alentejo de Abril

Monday, May 18, 2009

O pequeno ditador

Cresceu e descobriu Júlio Verne. Aprendeu com ele a capacidade de ver mais além, de imaginar e tentar justificar o impossível, criar argumentos para o inexistente. Pelo caminho foi apanhando música clássica. Ouviu o épico. Percebeu depois a emotividade deste, e como não era exclusivo de um único género musical. Compôs. Mal, sem formação, mas com um incrível esforço auto-didacta. Percebeu que quando se aprende por si mesmo, quando se procura, as coisas marcam muito mais do que quando nos são dadas. E assim, renegou o facilitismo e quis sempre aprender sozinho. Agradecia as pistas, explorava depois por si. Foi nascendo uma personalidade nascisista e de ego maior que a sua pequena estatura. Era pequeno, os pais doaram-lhe fraca genética. Pequeno e algo feio. Não que fosse assustador, tinha até alguma piada e, quando falava, sentia-se-lhe um certo encanto; não sabia simplesmente apresentar-se, na sua educação a ausência de gosto estético seria-lhe, durante anos, martirizante.
Gostava de ler, sentia que aprendia. Evoluía na sua própria expressão escrita e falada, agradava-lhe o conseguir sobrepor a sua razão e argumentos ao de adultos supostamente mais inteligentes, sábios e conhecedores que ele próprio. Saboreou aos poucos a prepotência e gostou. Para um individuo menorizado fisicamente, a superioridade intelectual era-lhe uma fuga deliciosa.
Sabia tornar-se cada vez mais má pessoa e, no fundo, isso incomodava-o. Mas satisfazia-o. E assim dedicou-se a ser Bom. Não um bom humano, ser um excelente cumpridor de tarefas. Propor-se a concretizar algo e atingi-lo na perfeição. Foi ficando frio. Frio e distante das pessoas, não lhe interessava a mediocridade dos humanos. Sentia-se cada vez mais afastado do mundo, daquilo que sentia à sua volta. Ninguém o impressionava, ninguém tinha para admirar. Interessou-se então pela história, procurou seres de capacidades inimagináveis e feitos impossíveis, queria a todo o custo ver-se noutra pessoa. Foi assim que percebeu o que era politica e estratégia. De Alexandre o grande a César, de Gengis Khan a Hitler, de Estaline a Mao Tsé Tsung. Viu como a emoção e medo são instrumentos brutais de controlo de massas, como a indução subtil de comportamentos gera outros comportamentos que, quando controlados, fazem planos frágeis atingir uma solidez e eficácia diabólica. Quis ser um Líder. Mas era tudo menos isso. Era desconhecido, não sabia lidar com pessoas, era anti-social, Faltavam-lhe as mais elementares capacidades de socialização, era um grunho.
Observou, durante uns anos, como as pessoas se davam entre si, os padrões que seguiam, os olhares, as nuances linguísticas e físicas, o quão pequenas atitudes geram personalidades icónicas, apesar de vazias de interesse/conteúdo. Aprendeu (sempre foi rápido a aprender quando o assunto lhe interessava) a dar-se e ganhou popularidade. Afinal ser admirado não era assim tão complicado. Era até uma mescla de chavões e frases feitas ditas em momentos certos, bastava ter um timing correcto e atento. Tentou ser mais humano. Não ser Mau. Ajudar. Continuou a ler, descobriu George Orwell, aprendeu com 1984 e visionou com A quinta dos animais, compreendeu a sua aplicabilidade ao Mundo. Aprendeu oratória, retórica, filosofia, tornou-se culto. E, com a idade, os que o rodeavam foram sentido-se cada vez mais incultos e o iam venerando mais.
Continuava no entanto sem conhecer o desespero, sem saber o que intimamente governava os destinos próprios de cada um, e percebeu que para sabe-lo tinha de sofrer. E sofreu: Bebeu, Fumou, Cheirou, Chutou, Ressacou, Chorou, Mijou-se e cagou-se sem saber, sobreviveu nauseabundo. Roubou, pilhou, manipulou, mentiu, "investiu". Percebeu que as pessoas quando viciadas são apenas pequenos fantoches vivos, e percebeu assim a utilidade que estas tinham. Percebeu também que a única coisa que salva as pessoas dessa alienação de vontade própria era a sua própria inteligência e resistência, e que uma pouco abundava e a outra facilmente se debilitava. Sabia agora como controlar o Mundo.
 E teve sorte, o mundo ruiu. A ganância desmedida destruiu as fundações da humanidade, queimou os princípios, afogou os valores. O Homem era agora um bicho solto e selvagem, desesperado, à procura de um sentido e salvação. Ele sabia que era momento de agir: Enterrou a bondade e fortaleceu a filha da putice: tornou-se o estratega politico de um mundo sem regras nem ordem, tinha de ser o rei do caos.
o medo é lindo.
Todos os contactos e ligações que tinha antes foram-lhe extremamente úteis nesta sua alegre fase da vida. Todos eles tinham, de certo modo, ou favores a pagar ou admiração para seguir, planeando assim uma cruel, rápida e eficaz liquidação de toda e qualquer oposição. Repetiu a paranóia da perseguição Estalinista sem no entanto perder o controlo, viva um êxtase psicológico com a sua própria magnificência. Mas sabia não ser grande.

Ser pequeno pode ser um trauma lixado. O pequeno controlador social ganhava visibilidade, mas não crescia, e isso sempre o fez sentir-se menos que os outros. Passou a usar sapatos de sola alta. Era agora um Homem! era Grande! tinham de levantar a cabeça para se dirigir a ele, sabia no entanto ser ridículo.

Ele sabia bem o perigo de um mundo caótico, selvagem e estúpido, a sua própria sobrevivência não seria assegurada assim. Tinha de reformular o mundo, mas era ainda pequeno.
o Problema de nos tornarmos importantes, influentes, e poderosos é que os nossos inimigos vão-no sendo cada vez mais também. Ele já não mandava lutar contra pequenos gangues/ grupos e povoações, lutava contra pequenos "condados" já (o bom da decandencia do mundo é que não há países, e não havendo países, não há uma capaz governança que imponha a ordem, sendo assim o mundo de quem primeiro o subjugar). Não poderia nunca sobreviver sem uma sólida força. E, mais do que força física, precisa de controlar a mente das pessoas. Lançou assim uma inteligente manobra de criação de identidade territorial, defesa da "propriedade comum", do "que é nosso", enfim, usou velhas técnicas e tácticas. Teve sucesso: Criou uma verdadeira cidade, uma verdadeira sociedade, um exército, treinado e capaz, emocionalmente dependente da sua agora icónica figura. Era um Líder. Finalmente, olhavam-no com respeito. E o sempre necessário medo. Mas ele conseguia dar a sobrevivência aos seus subalternos, e em tempos pós-apocalípticos, a mais apenas se pede pão e água.

Controlava agora alma e coração de todos o que o rodeavam, reciclava amedrontados indivíduos num temeroso colectivo. Teve a habilidade de tornar o seu "gado" numa massa temida e, no imaginário colectivo, invencível. Foi conquistando território e território, cada vez mais amplo e vazio de intelecto. Apesar do seu receio sobre a inteligência alheia, sabia precisar de gente capaz. Teve assim de buscar os que ainda sabiam medicina, psicologia, mecânica, engenharia, arquitectura, literatura, propaganda, etc. Sentiu-se impotente com a cada vez mais parecida sociedade da qual tinha emergido, temia-a verdadeiramente. Sabia que alguém iria emergir, tal como ele mesmo tinha emergido, e ganhar o seu lugar. 

Quando se tem tudo, tememos todos, pois todos querem a nossa cabeça para no seu lugar colocar a sua.

Refugiou-se em desespero nos vícios. Não que os tivesse alguma vez abandonado, todos sabiam que o seu líder era puro de defeitos (a propaganda é de facto, algo incrível) mesmo que na realidade sempre tivesse tido o ferrão venenoso da necessidade do degredo. Cada mais mais receoso, cada vez mais assustado, cada vez mais embrenhado na sua própria destruição. Sabia bem que "aquilo" seria o seu fim. Sabia que o seu poleiro cairia não por alguém, mas por si mesmo, via-o todas as noites em sonhos, antes do agreste e suado acordar, alucinado pelo cansaço e toxicidade. Não quis gulags, preferiu a rápida execução sumária. Perdeu aos poucos o respeito do seu povo, o medo já não era controlo, era motivação. Já não governava, passava os dias perdido em seus pensamentos e música, esperava a morte. Não sorria, queria fazê-lo, rir-se da ironia que ele produzira para si próprio, mas não conseguia. A cocaína minara-lhe o sistema nervoso, não mais reagia, viva sem qualquer emoção, o cérebro pura e simplesmente não conseguia mais que sobreviver em depressão. cada vez que lhe chutavam uma dose de heroína, temia o corte que esta tinha. Mas a dependência física é uma puta: quer sempre mais e mais, e ele queria sempre mais e mais também.

Tornou-se um caco. Um nada. Soube-se responsável pela destruição dos que o viram nascer e pelo nascimento dos que o viriam destruir. Ciclo inevitável, pensou a certa altura. Obviamente estava errado, no fundo também o sabia, mas o conforto de julgar ter feito tudo o que podia era a única coisa que mantinha viva. 

Um dia, nada mais restava. Um proeminente intelectual reduzido a degradação humana. O mundo continuou, alguém tomou seu lugar, aligeirou as coisas, com o tempo, tudo voltou ao normal. Todo o espaço se reorganizou, ele não passou assim de um infeliz retorno à idade média. Apesar de recordado e imortal para a história, ninguém o recordou com saudade. Já não havia saudade. Éramos agora bichos brutos e cruéis, que sobreviviam em conjunto. 
A humanidade morreu vitima de si própria.